O Twitter como arma, por Afonso Lopes
Posted by André de Moraes | Posted in Sem categoria | Posted on 08-11-2009
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Fonte: Jornal Opção
Autor: Afonso Lopes (@a_fonso)
A rede social que alavancou a candidatura do presidente Barack Obama começa a ser utilizada em Goiás
Perto do nosso calendário eleitoral, as eleições americanas duram uma eternidade oficialmente. Primeiro os partidos correm Estado por Estado para definir as candidaturas. Depois, começa mais uma campanha, também aberta e acessível a todo o eleitorado e, aí sim, pra conquistar os votos necessários para a Presidência. Somando tudo, é mais de um ano de intensa campanha nas ruas, nos jornais e TVs.
Por aqui, é tudo muito mais complicado. A legislação anda cada vez mais restritiva e a lista do que não pode ser feito para conquistar votos vem crescendo ao longo dos anos. Os grandes comícios anabolizados por shows de cantores famosos estão fora. Aliás, não pode ter show nem com cantores famosos, nem com cantores anônimos. Nada. Aliás, como a legislação se estende aos shows, não interessa a natureza. Teatro de bonecos? Não pode. Teatro sem boneco? Também não. Circo? Necas. Rodeio de peão, vaquejadas… Tudo isso está fora da lei eleitoral. Lembrando ainda que distribuição de camisetas, bonés, canetas e demais badulaques também é proibida.
Fazendo as contas na ponta da caneta, a relação do que não pode ser utilizado numa campanha eleitoral no Brasil é muito maior do que a lista dos autorizados. Este ano, uma nova arma está livre, pelo menos por enquanto: a internet. Mesmo assim, com algumas restrições. Por exemplo, sites de empresas não poderão publicar anúncios pagos de nenhum candidato. A tentação por estender a proibição para muitos outros setores da internet foi grande. Uma das propostas era restringir seu uso ao período em que as campanhas podem ir para as ruas, em junho do ano que vem, após as convenções partidárias, e mesmo assim em páginas oficiais dos candidatos.
Esse conjunto com tantas regras nas eleições está, aos poucos, matando as campanhas. Antes, por exemplo, o período destinado ao chamado palanque eletrônico, no rádio e na TV, será de 60 dias. Na reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) caiu para 45 dias. Já teve gente defendendo somente um mês. Além de menos tempo, o conteúdo também ficou sob vigilância. Computações gráficas não podem ser utilizadas nas chamadas pílulas, propagandas curtas e avulsas inseridas nas programações das emissoras ao longo do dia.
Quanto menos campanha, melhor para os velhos rostos conhecidos da política, que, quando bem avaliados, basta promover um bom recall para manterem seus postos eletivos. Isso vai do presidente da República aos vereadores, passando pelos senadores, deputados federais, governadores, deputados estaduais e prefeitos. Aos novatos, resta bancar campanhas muito mais caras, de tiro rápido.
Como nos Estados Unidos a vida política é muito diferente, as campanhas lá atravessam os meses incendiando as opiniões. E nisso passou a valer cada vez mais a criatividade. Não é por outro motivo que quase todos os modelos criados por lá acabam chegando por aqui. O mais recente deles é a rede social da internet Twitter, a que mais cresce em todo mundo, inclusive no Brasil.
Apesar de o site ser em inglês ou japonês (opção do usuário) qualquer brasileiro minimamente familiarizado com internet não encontra muitos problemas. O primeiro passo é abrir o navegador de internet (Internet Explorer e Firefox são os mais usados). Depois, digitar no campo apropriado (no alto da página) o endereço http://twitter.com. Na página inicial do Twitter, a inscrição (gratuita) é iniciada clicando o campo sign up now. Se preferir, o internauta nem precisa fazer essa inscrição para acompanhar o que algum tuiteiro, político, celebridade ou demais mortais anda escrevendo. A única exigência que existe para a inscrição no Twitter é ter um e-mail válido — que é por onde se aciona o mecanismo de validação. Cumpridas essas rapidíssimas etapas, qualquer pessoa está pronta para entrar na tal rede social que se tornou a grande febre da internet no mundo todo e que foi considerada como peça fundamental para a vitoriosa campanha de Barack Obama nos Estados Unidos.
Dentro do Twitter não há qualquer complicação, a não ser o fato de ter que expressar tudo o que quer em apenas 140 caracteres. A frase que você acabou de ler, por exemplo, tem 125 caracteres. Está quase no limite. Mas é também por esse motivo que essa rede social é o que é. Nada de textos longos e enfadonhos. É tudo curto, rápido e denso.
Todos os usuários podem escolher a quem irão seguir (following). Barack Obama (sim, ele continua no Twitter. Na sexta-feira à tarde, mais de 2 milhões e meio de pessoas acompanhavam tudo o que ele escrevia. Em média, o presidente dos Estados Unidos publica três ou quatro mensagens diariamente). José Serra e Aécio Neves (ambos PSDB), inúmeros deputados e prefeitos, podem ser encontrados no Twitter. Os goianos também estão lá.
O político de Goiás com maior número de leitores é o senador Demóstenes Torres (DEM), com mais de 4 mil seguidores. Em segundo lugar, já aparece o senador Marconi Perillo (PSDB), com 3 mil, depois que ele ultrapassou, na sexta-feira, 6, pela manhã o então vice-campeão, deputado Ronaldo Caiado (DEM), que caiu, portanto, para a terceira posição. Podem ser encontrados no Twitter inúmeros deputados estaduais — os mais ativos deles são Thiago Peixoto (PMDB) e Jardel Sebba (PSDB) — e federais, como Rubens Otoni (PT), além de Ronaldo Caiado.
A importância do Twitter já foi demonstrada na prática. No início da semana, o prefeito Iris Rezende (PMDB) concedeu entrevista ao jornal “O Popular” e pontuou críticas endereçadas ao rival Marconi Perillo. A resposta do tucano se deu exatamente pelo Twitter, e dominou o noticiário político nos jornais do dia seguinte.
O perfil (ou página) do prefeito Iris Rezende já está reservado, mas ainda não tem postagens (mensagens). Entre os declaradamente pré-candidatos, estão Marconi, Caiado, Otoni e Sandro Mabel, do PR, (este quase sem atuação). Para Barack Obama, o Twitter foi a melhor arma para conquistar a vaga de candidato pelo partido Democrata e, depois, para colocar fim à era Bush na Casa Branca.
Faltando ainda um ano para as eleições, e com tantas restrições às campanhas de ruas, a importância dessa rede social nas eleições tem tudo para se tornar cada vez maior, podendo ser o fator extra, a arma decisiva para a conquista do Palácio das Esmeraldas.
PS — O tema “Twitter como arma política” foi sugerido por seguidores de @a_fonso, meu perfil na grande rede, através de uma pesquisa instantânea. A interatividade é o grande show do Twitter.
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Campanha eleitoral permite SEO
Os políticos e as Redes Sociais [slideshare]
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